Olá Matilde!
Provavelmente quando leres este texto que te escrevo, estarei eu a mais de 5000km de distância de ti…
Escrevo, porque sou demasiado cobarde e inseguro de que te conseguisse dizer tudo isto por palavras faladas de uma só vez, nem com a perfeição com que só um texto pode ser lido.
Escrevo-te para me permitir aliviar algum peso da consciência e resolver finalmente o problema que o causou. Dizer-te antes de mais, que gosto de ti mais do que algum amigo deveria gostar, e que tenho sofrido com esse sentimento que tentei em vão reprimir. Passei demasiado tempo escondido atrás de jogos, de um “eu” virtual, e mais recentemente, quando pus fim a essa fase, descobri algo completamente novo, algo que os jogos são incapazes de transmitir.
Tentei aproximar-me então de ti. Tarefa árdua e ingrata para alguém que como eu, sempre viveu escondido atrás de um ecrã. Tu não facilitaste ou sequer permitiste. De um lado o tímido rapaz dos computadores, do outro, a rapariga intocável (algo que eu admiro em ti), sem quaisquer formas de se lhe aproximar.
A escola não nos ensina aquilo que realmente importa saber, isso há que o aprender por nós mesmos. No meu caso, a escola não me ensinou a comunicar com as pessoas que realmente gosto, dizer-lhes o quanto eu preciso delas, isso é algo que terei de aprender sozinho.
Sem o “à vontade” da maioria dos rapazes, e contigo sempre demasiado distante, a minha tarefa tornou-se um quanto impossível. Tentando sempre esconder de ti o que sinto, lentamente, aproximei-me, sempre que a pouca coragem ia surgindo. Porém por muitas tentativas minhas de a ti chegar, fracassei.
O tempo trouxe-me a dúvida e a lucidez. Talvez por medo de me magoar ou incredulidade de que tu pudesses algum dia vir a gostar de mim, desisti e recostei-me no meu canto a procurar entender. Percebi que as histórias nem sempre têm um final feliz, que os contos de fadas não passam de contos, e que por vezes a melhor maneira de continuar, é desistir. Percebi que eu e tu não ouvimos a mesma música.
Em desespero de causa escolhi o caminho menos mau, esquecer-te. Cedo me apercebi que para o conseguir, precisava ainda de te contar, não só para que percebas as minhas atitudes de agora em diante, mas também para que me compreendas e não compliques as coisas. Contar tornou-se mais fácil assim que decidi esquecer e por isso o faço. Esquecer no entanto, sempre me soou difícil.
Difícil porque passo o grosso da minha semana fechado numa sala com a pessoa de quem gosto, difícil, porque fico inquieto cada vez que oiço o teu nome ou cruzo o teu olhar, difícil porque me deixei apaixonar. Lembrei-me então de Taizé, uma semana longe de ti e de Portugal, uma semana onde não mais irei ouvir o teu nome nem cruzar o teu olhar, uma semana que tentei incluir nos teus planos. Para que percebas, o “eu” que tento mostrar a quem me rodeia, o rapaz quase sempre alegre e relaxado, não mostra o que realmente sinto, não explica a minha verdade. Muitas das vezes ajo infantil e inconsequente, tenho muito que aprender. Taizé já me moldou anteriormente e espero repetir o feito, para que volte mais leve e possa voltar a olhar-te nos olhos sem medo de te voltar a amar.
Faltava ainda assim contar-te esta história, para assim cumprir o passado, e dar-te tempo para pensares no futuro. Não tenciono afastar-me, consigo lidar com a nossa amizade e sei de antemão que voltarei melhor do que quando parti. És uma rapariga especial, em todos os aspectos, espero que um dia encontres alguém de quem realmente gostes e quando isso acontecer, fica o conselho, mostra-lhe o que sentes para que possas ser correspondida.
Termino e sinto-me melhor do que quando comecei, a parte boa da história é o facto de ter crescido imenso e aprendido o que só a experiência me poderia ter ensinado. Agora só falta a parte mais difícil.
Desculpa ter-te feito ler algo tão rebuscado, não dês demasiada importância ao assunto, no fundo, não passo de mais um miúdo de Ribeiradio que te fez ler um texto aborrecido, algo que não se repetirá. Estuda muito e boas férias de Carnaval!

Sem comentários:
Enviar um comentário